Fim da isenção de LCI pode encarecer crédito imobiliário, alertam bancos
Setor bancário avisa que eliminar benefício fiscal das Letras de Crédito Imobiliário aumentaria custos e prejudicaria acesso ao financiamento de imóveis.
O governo estuda a possibilidade de acabar com a isenção de imposto de renda sobre as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), um dos principais instrumentos utilizados pelos bancos para captar recursos destinados ao financiamento imobiliário no Brasil. A medida está gerando preocupação no setor financeiro, que alerta para consequências negativas caso seja implementada.
Segundo executivos de grandes instituições bancárias, como o Santander, remover a isenção fiscal das LCI causaria aumento significativo nos custos de emissão desses títulos. Isso ocorre porque os investidores recebem esses papéis exatamente pela vantagem tributária oferecida. Sem esse incentivo, os bancos precisariam oferecer rendimentos muito maiores para atrair capital, elevando despesas operacionais.
As Letras de Crédito Imobiliário são títulos de renda fixa que financiam operações de crédito no setor imobiliário. A isenção de IR torna esses investimentos atraentes para pessoas físicas, criando um fluxo constante de recursos que os bancos repassam como empréstimos para compra de casas e apartamentos. Esse mecanismo é fundamental para manter as taxas de juros competitivas no mercado imobiliário.
O receio da indústria financeira é que, com custos maiores de captação, os bancos repassem esse aumento aos consumidores através de juros mais elevados nos financiamentos imobiliários. Isso poderia desestimular a demanda por crédito habitacional e prejudicar o acesso à casa própria para milhões de brasileiros.
Além disso, o setor aponta que a economia imobiliária representa parcela expressiva do PIB nacional e gera milhares de empregos. Um encarecimento do crédito poderia retrair investimentos em construção civil e desenvolvimento urbano, com efeitos em cascata para toda a economia.
Os bancos reforçam que é fundamental manter a isenção de LCI como instrumento de política pública para estimular o investimento imobiliário e a inclusão social através do acesso à moradia. A discussão segue em aberto, mas o setor financeiro continua pressionando para preservar esse benefício fiscal que considera essencial para manter o crédito imobiliário dinâmico e acessível.
Baseado em conteúdo de: InfoMoney